Decreto BIM no Brasil: o que muda para construtoras e escritórios em 2026
- 7 de abr.
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Atualizado: 24 de abr.

Quando a lei alcança o setor
Durante muito tempo, falar de BIM no Brasil era falar de uma tendência. Algo que estava no horizonte, que os mais antenados já utilizavam, mas que ainda parecia opcional para a maior parte das construtoras e escritórios. Essa narrativa mudou. E mudou por decreto.
Em 2 de abril de 2020, o governo federal publicou o Decreto nº 10.306, estabelecendo a obrigatoriedade do uso do BIM em obras públicas federais. Não foi um aceno simbólico. Foi um cronograma com prazos, etapas e responsabilidades. Em 2024, o Decreto nº 11.888 reforçou e ampliou essas exigências, deixando claro que o BIM deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma condição de participação em uma fatia importante do mercado.
O que os decretos exigem na prática
A Estratégia BIM BR, lançada em 2018, definiu uma adoção gradual em três fases. Desde 2021, o BIM é obrigatório em projetos de arquitetura e engenharia contratados por órgãos públicos federais. A partir de 2024, a exigência se expandiu para todas as etapas das obras públicas, incluindo planejamento, execução e fiscalização. E até 2028, o BIM deverá ser aplicado ao longo de todo o ciclo de vida das edificações — do planejamento à operação e manutenção.
Na prática, isso significa que se sua construtora ou escritório quer participar de licitações federais, ou mesmo estaduais e municipais que adotaram exigências semelhantes, o BIM já deveria estar incorporado ao fluxo de trabalho. Não como demonstração em uma ou outra proposta, mas como prática consolidada. Os editais estão cada vez mais específicos sobre níveis de detalhamento, formatos de entrega e estrutura do modelo.
O efeito cascata sobre o mercado privado
Seria um erro pensar que esses decretos só afetam quem trabalha com obras públicas. Quando o setor público estabelece um padrão, o mercado privado tende a seguir. Bancos, financiadoras e investidores institucionais começam a pedir o mesmo nível de documentação. Construtoras de grande porte que atuam tanto no público quanto no privado naturalmente padronizam seus processos para não manter dois fluxos paralelos. E os escritórios de arquitetura que atendem essas construtoras são pressionados a entregar em BIM, mesmo em projetos que não passam por edital.
O efeito cascata é silencioso, mas implacável. Quem está atento percebe que os requisitos técnicos das propostas privadas estão se sofisticando. Quem não está atento, descobre tarde demais — quando perde uma concorrência importante por não conseguir entregar o que o cliente passou a considerar básico.
O Brasil correndo atrás
Vale a perspectiva histórica. O Reino Unido tornou o BIM obrigatório em obras públicas em 2016. Os Estados Unidos já utilizavam o BIM em prédios federais desde 2006, por determinação da General Services Administration. Países como Singapura, Finlândia e Chile saíram na frente há mais de uma década. O Brasil chega depois, mas chega. E quando o Estado brasileiro decide formalizar uma transição tecnológica, o impacto sobre o setor produtivo é grande — porque a construção civil aqui tem peso enorme no PIB e emprega milhões de pessoas.
A pesquisa do SIENGE com a ABDI, que já mencionei em outro artigo aqui no blog, mostrava que 59% dos profissionais entrevistados se autoavaliavam em níveis iniciais de maturidade BIM. Esse número precisa cair rapidamente, e é isso que os decretos estão forçando. Não por gosto, mas por necessidade competitiva.
O que fazer agora
Se sua construtora ou escritório ainda não tem o BIM incorporado ao fluxo de trabalho, o calendário está apertando. E aqui vai o ponto que considero mais importante: você não precisa internalizar tudo de uma vez. Implantar BIM do zero exige investimento em software, hardware, treinamento e mudança de processos — algo que leva meses e custa caro. Existe um caminho mais inteligente, especialmente para quem tem pouco tempo até a próxima licitação ou exigência de cliente: terceirizar a produção BIM com uma empresa especializada enquanto a transição interna acontece em paralelo.
É exatamente esse o papel que a DRAWtoBIM cumpre para construtoras e escritórios em todo o Brasil. Entregamos projetos executivos em BIM, fazemos a coordenação e compatibilização multidisciplinar, modelamos sobre nuvens de pontos e, quando o cliente decide internalizar o processo, oferecemos o BIMXpress — nosso programa de implantação BIM para escritórios de arquitetura. É um caminho que combina velocidade no curto prazo com autonomia no médio prazo.
A verdade é que decreto não discute preferências. Ele estabelece prazos. E quando o prazo bate na porta, quem está preparado entrega, quem não está fica de fora. É duro, mas é assim que mercados maduros funcionam. O lado bom é que a oportunidade para quem se adianta é enorme — porque o número de empresas realmente preparadas ainda é pequeno em relação à demanda que vai surgir nos próximos anos. Posicionar-se agora não é mais uma questão de inovação. É uma questão de sobrevivência competitiva.
Olifer Neto

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